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  1. mais perto...

    quinta-feira, 5 de abril de 2012


        Neste exato momento estou dentro de um avião, provavelmente, sobrevoando o Rio de Janeiro. O sol está se pondo. Lindo e laranja. Seu reflexo nas nuvens as  transformam em fogo. Vivo. Dá até vontade de pular de braços abertos, como diria um amigo meu. 

        Há uns 15 anos, em um voo com a minha Vó, ela, mais uma vez, disse algo que nunca esquecerei. Falou que para ela estar fisicamente mais perto do céu lhe trazia a sensação de estar "pertinho" de Deus. Esse é o sentimento que tenho agora. 

    Estando mais próximo (pertinho) de parte da criação, que de alguma forma ainda está intocada pelo homem, sinto o Criador mais perto. 
       Não é necessário artifícios espetaculares, gritar, correr, fazer escândalo, para estar mais perto de Deus. Basta admirar sua obra.

      Admirar a perfeição da natureza , tão pouco contemplada por nossos rotineiros e acostumados olhos, traz a certeza que o eterno está por vir. 

  2. Minha Vó

    sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

    Quando comecei a falar. Há alguns anos atrás. Disseram-me que o nome de minha vó era Zezita. Aprendi. Lembro até de rirem de mim na escola. Um dia a professora pediu que a turma dissesse palavras que começassem com a letra Z, eu não hesitei “Zezita, tia”. Risos.  Porém anos depois corrigiram e me contaram que na realidade era Josefa Pereira do Nascimento. Porque o padre não aceitou batiza-la com Zezita. Comecei a usar isso a meu favor, quando queria puxar algum assunto, em uma roda de adultos, eu dizia “sabia que o nome de verdade da minha vó é Josefa?”.  Na igreja também, quando tinha uma lista sobre qualquer coisa e tinha lá “Josefa”, as pessoas se perguntavam, “quem é essa?”. Eu rapidamente respondia: “É a minha Vó”.

    Mas ai, quando tudo parecia estar estabelecido. Minha Vó resolveu voltar a assinar o nome de solteira, já que havia se divorciado legalmente do meu avô. Voltando a se chamar, Josefa Pereira de Oliveira. Ufa, agora ela parou. Não tem mais para onde correr.

    Mesmo minha vó tendo “muitos” nomes, eu sempre a chamei e a chamarei de uma forma. MINHA VÓ. Ela tem mais netos sim, cinco. Mesmo assim, ela é minha vó. Não sou possessiva, fui criada assim. Minha mãe é minha mãe e minha vó é minha vó.

    Minha vó é aquela senhora que não admite cabelos alvos, que se perfuma toda antes de sair de casa, passa muitos hidratantes, é costureira, cozinha bem a beça, se estressa quando ninguém faz o que ela pede (na hora que ela pede), é paraibana, mesmo vivendo há 50 anos no Rio de Janeiro não perdeu o sotaque, sempre da aquele "cinco reais emprestado" aos netos (mesmo eles tendo 20 anos), faz um pão na chapa ou uma tapioca a hora que você pedir, já disse 427 milhões de vezes que nunca mais faria uma roupa para um neto, já que eles não usam. Obrigada “minha vó” por não desistir de mim, e insistir todo domingo de manhã para eu levantar. Minha vó é aquela senhora que vale a pena diminuir o passo para acompanha-la.