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| (Necy aos 15 anos, com sua sanfona. Foto:Arquivo Pessoal) |
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O poder de uma história
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
No quarto período da faculdade eu tive uma disciplina chamada Linguagem Jornalística e a professora para a última unidade passou um perfil. Precisávamos falar de alguém com uma história interessante ou inusitada,com uma vida intrigante, ou com idiossincrasias (tava louca para usar essa palavra), porém que fosse anônimo.
Fui atrás do meu personagem, não foi nada fácil. Talvez se fosse no Rio de Janeiro seria um pouco mais fácil de eu conhecer alguém com essas características, mas em Natal foi complicado. Mas achei! Fiz o perfil da Dona Necy Bezerra. Eu já disse em outros textos meu fascino por pessoas velhas, eu adoro pessoas velhas. E meu perfilado nesse trabalho não poderia ser diferente, Dona Necy tem 71 anos e milhões de histórias para contar.
Eu marquei com ela uma tarde em sua casa. Foram momentos ótimos, o perfil com certeza rendeu. Mas não é apenas por isso que estou escrevendo esse texto. Mas sim para dizer o que ganhei ao escrever a história dessa mulher. No dia da entrevista já sai satisfeita. Ouvir histórias antigas sempre foi uma coisa que me encantou. Então sai da entrevista encantada e feliz. Feliz por ouvir e ser ouvinte.
Outro presente que recebi ao escrever a história de Dona Necy, foi recentemente. Confesso que andava ligeiramente desencantada com meu curso, por motivos diversos. Mas semana passada, recebi um cartão, escrito o seguinte texto: "Thalita: Fiquei emocionada com o seu artigo: vibrante, fiel, verdadeiro. Muito grata pelo seu carinho. Necy". O que senti ao ler o cartão apagou qualquer frustração que eu vinha sentido. Exercer o papel de um contador de histórias e saber o quanto aquele ato foi importante para o personagem é mágico.
Para uma história ser brilhante não depende apenas da notoriedade do personagem, mas sim da vontade e do prazer de quem a conta.
Clique para ver o Perfil Dona Necy .Postado por Thalita Sigler às 15:33 | Marcadores: crônica, fotec, história, jornalismo, perfil | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Minha Vó
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Quando comecei a falar. Há alguns anos atrás. Disseram-me que o nome de minha vó era Zezita. Aprendi. Lembro até de rirem de mim na escola. Um dia a professora pediu que a turma dissesse palavras que começassem com a letra Z, eu não hesitei “Zezita, tia”. Risos. Porém anos depois corrigiram e me contaram que na realidade era Josefa Pereira do Nascimento. Porque o padre não aceitou batiza-la com Zezita. Comecei a usar isso a meu favor, quando queria puxar algum assunto, em uma roda de adultos, eu dizia “sabia que o nome de verdade da minha vó é Josefa?”. Na igreja também, quando tinha uma lista sobre qualquer coisa e tinha lá “Josefa”, as pessoas se perguntavam, “quem é essa?”. Eu rapidamente respondia: “É a minha Vó”.
Mas ai, quando tudo parecia estar estabelecido. Minha Vó resolveu voltar a assinar o nome de solteira, já que havia se divorciado legalmente do meu avô. Voltando a se chamar, Josefa Pereira de Oliveira. Ufa, agora ela parou. Não tem mais para onde correr.
Mesmo minha vó tendo “muitos” nomes, eu sempre a chamei e a chamarei de uma forma. MINHA VÓ. Ela tem mais netos sim, cinco. Mesmo assim, ela é minha vó. Não sou possessiva, fui criada assim. Minha mãe é minha mãe e minha vó é minha vó.
Minha vó é aquela senhora que não admite cabelos alvos, que se perfuma toda antes de sair de casa, passa muitos hidratantes, é costureira, cozinha bem a beça, se estressa quando ninguém faz o que ela pede (na hora que ela pede), é paraibana, mesmo vivendo há 50 anos no Rio de Janeiro não perdeu o sotaque, sempre da aquele "cinco reais emprestado" aos netos (mesmo eles tendo 20 anos), faz um pão na chapa ou uma tapioca a hora que você pedir, já disse 427 milhões de vezes que nunca mais faria uma roupa para um neto, já que eles não usam. Obrigada “minha vó” por não desistir de mim, e insistir todo domingo de manhã para eu levantar. Minha vó é aquela senhora que vale a pena diminuir o passo para acompanha-la.Postado por Thalita Sigler às 19:01 | Marcadores: avó, crônica, história, minha vó, velhos | 3 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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"João vai à praia'
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Everson Andrade.2009.1
"Quando tinha 11 anos ele viu o mar pela primeira vez, vindo do sertão sempre o imaginava como uma grande represa, mas ao chegar foi amor à primeira vista, se a apaixonou e casou. 41 anos depois trabalhando diariamente, vendendo picolé na praia esse amor virou monotonia. Hoje com 52 anos João da Silva se prepara para seu segundo passeio na praia.
Vai levar sua família para passar um dia de domingo, dessa vez de frente para o mar, pois por quase quatro décadas viveu dando as costas para ele e cedendo atenção exclusiva aos desconhecidos a quem vendia seu produto.
Ele chegou cedo, veio de ônibus e procurou o lugar mais reservado da praia, não queria que os amigos o vissem naquela situação. Parou, sentou, e olhou: o sol ainda era dividido em dois pela linha do horizonte e o céu meio escuro como que vai chover dentro de cinco minutos. Sobre o pano em cima da areia sua mulher colocou o bolo de ovos, e com o guaraná chamou os meninos que já corriam pela areia, e ali mesmo tomaram o café. Família simples, nem ligou para os granfinos que passavam fazendo suas caminhadas e olhavam torto para aquelas pessoas sentadas.
Já eram dez horas e para o seu desgosto um dos colegas de trabalho apareceu. Ele não tinha nem um problema com os seus amigos ou sua situação social, porém nunca fora visto ali se não trabalhando, mas segundo o mantra de Chico, pediu sua cerveja para tomar antes da galinha com farofa que sua esposa tinha preparado para o almoço. Aquela cerveja desceu refrescando seu corpo e espírito, se tornando mais doce que o doce da batata doce.
Enquanto saboreava aquele mimo que se permitiu, observava seus filhos brincando na água. Brincavam de não sei o quê, mas eram felizes, com isso remeteu ao seu passado quando o mar era seu açude. Para ele seu dia já estava de bom tamanho e alegre.Após saborear o galeto, entrou pela única vez no mar, brincou e nadou até dizer chega, voltando juntaram suas coisas e foram para casa.Ainda no ônibus disse à companheira que gostou da experiência e daquele dia em diante repetirão mais essa atividade. Antes de morrer João foi à praia mais 867 vezes, e mais 3 vezes visitou a praia".
Postado por Thalita Sigler às 22:18 | Marcadores: história, jornalismo, redação criativa | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
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Maria das águas
quinta-feira, 24 de março de 2011
Jornalismo 2010.1Primeiro texto de Redação Criativa. 16/03/2011.
Maria das águas.E lá vai Maria... Como todos os dias, bem cedinho, preparar seu ganha-pão. Maria vende água na praia de Copacabana, zona sul carioca. Maria é uma jovem muito justa e esforçada, terminou os estudos, mas vender água na praia dava mais dinheiro. A jovem era conhecida por todos, ela era simpática ao ponto de vender graças ao seu sorriso.
Era conhecida também por ser muito corajosa, ela trabalhava duro, todos os dias, sem folga, para ajudar sua mãe com as contas. Porém Maria tinha um sonho, de fazer uma faculdade. Esse era o grande sonho dela, se formar em direito e defender os mais necessitados. Muitos achavam utopia de Maria, como seria possível uma simples vendedora de água ser tornar doutora?
Os verões passaram, a praia de Copacabana continuou sendo umas das mais visitadas do país. Aquela praia com todos seus turistas, seus vendedores e suas peculiaridades. Pouca coisa muda em Copa. Mais um domingo ensolarado, praia lotada, ótimo para as vendas. Mas cadê aquela menina sorridente da água? Ela continua sorridente e com a mesma expressão gentil de sempre, mas a praia não é mais lugar de trabalho e sim de lazer. Maria não carrega mais um isopor pesado e sim sua linda bolsa. Ela chega à praia, aluga sua cadeira, cumprimenta a todos e senta para admirar a beleza do lugar. Sentir o cheiro da maresia, prestar atenção nos grãos de areia entrando em seus dedos e se maravilhar com o brilho do sol refletindo no mar gelado. Agora ela não é apenas ”Maria a menina da água” e sim “Maria a Doutora”!Postado por Thalita Sigler às 12:50 | Marcadores: copacabana, história, jornalismo, redação criativa | 0 comentários | Enviar por e-mail Postar no blog! Compartilhar no X Compartilhar no Facebook |
