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  1. Meu Avô, uma pessoa velha.

    sexta-feira, 20 de maio de 2011

    Eu me rendo, prefiro as crônicas. Elas me transmitem muito mais que enormes romances. Afirmam que as crônicas são relatos do cotidiano (realidade) com um olhar diferente. Eu não acho que as crônicas sejam necessariamente realidade, até porque a realidade por vezes consegue ser mais surreal que a imaginação. Por me render a esse estilo, tenho lido exaustivamente.E por coincidência as ultimas que li eram sobre velhos. Isso mesmo, pessoas velhas. Eu adoro pessoas velhas. Dizer que alguém é velho não deveria ofender e sim ser um mérito. Pessoas velhas, não pessoas envelhecidas. A riqueza da memória e o brilho das histórias. Tenho a sensação que essas pessoas estavam em todos os acontecimentos marcantes ao mesmo tempo. Elas sempre têm alguma coisa pra contar.
    Eu tenho velhos na minha vida. Amo. Um foi embora. Tenho a lembrança do seu jeito de vestir, de falar e de pentear o cabelo. Meu avô, ele foi porteiro no bairro do Jardim Botânico, por muito tempo, lembro-me de ir visita-lo. E onde ele guardava suas coisas, era um baú bem grande, que tinha um cheiro tão peculiar. Tão especial. Consigo sentir esse cheiro. Meu avô era cheiroso, muito vaidoso.  A ultima lembrança que tenho dele é ele bem arrumado. Com o cabelo impecável, uma blusa verde água e uma calça branca (um tanto quanto bicheiro). Ele me deu um conselho e um abraço. Desde então eu nunca havia sonhado com ele, recentemente sonhei e ele cabia em meus braços, o abracei com tanta vontade que pude sentir seu cheiro. Botei minha mão em seu coração, pra ter certeza que batia, e no meu sonho ele batia. Rápido.


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  2. 1 comentários:

    1. Nicholas Miguel disse...

      Prima não tem que tirar e nem por, ficou ótimo!Nessa pequena cronica voce de alguma forma conseguiu passar o que realmente ele era.
      Saudades ele deixou.